Deus queria formar em Teresa o tipo perfeito das esposas de Cristo, e, para esse fim, empregou 18 anos em purifica-la com toda classe de terríveis provas: enfermidades, securas, dúvidas de espirito... Tudo isso, Teresa deixou consignado em sua encantadora autobiografia.

Diante de uma imagem do Cristo atado à coluna, muito chagado e lastimoso, o coração magnânimo de Teresa se perturbou e, desfeita em lágrimas, entregou-se verdadeiramente e sem condições à VONTADE DE DEUS.

Fez voto de fazer sempre o mais perfeito, rompendo absolutamente todos os laços que a prendiam às criaturas. Desde este momento, morre Teresa de Cepeda e nasce Teresa de Jesus.

Em 1560 - quando se encontra na plenitude dos seus 45 anos - como fruto de uma intensa evolução espiritual, Teresa, com um punhado de amigas íntimas, decide-se a abraçar uma vida carmelitana mais perfeita (Vida 32, 9-10): retornar à Regra primitiva da Ordem, vida de solidão, mortificação e oração, num grupo pequeno selecionado. Na realização deste projeto, recebe a ajuda e a aprovação de seus confessores, especialmente de São Pedro de Alcântara, que influi na determinação de uma pobreza absoluta.

A 24 de agosto de 1562, o repique de uma campainha anuncia a fundação do Mosteiro de São José em Ávila e a tomada de hábito das 4 primeiras Carmelitas Descalças. O gesto de Teresa desagradou seus Superiores e o novo mosteiro teve a oposição do Conselho da cidade. Teresa teve que voltar ao Convento da Encarnação e a casinha (Mosteiro de São José) corria o perigo de ser suprimida pela autoridade civil. Tudo parecia perdido (Vida 36). Depois de uns meses de luta, vence Teresa. Em fins de 1562, o Conselho aprova a fundação; o Superior lhe permite regressar ao seu convento; um Documento de Roma dá amplas faculdades de fundadora e legisladora a Teresa de Jesus.

O ambiente daquele "pombalzinho da Virgem" é maravilhoso. Porém logo o senhor tira dali Teresa, convertendo-a em "mulher inquieta e andarilha" para que semeie na Península mosteiros como este.

Porém, a alma de Teresa ainda quer mais, seu coração missionário deseja estender a Reforma das monjas também aos frades. Em Medina del Campo, entrevistou-se com o Superior do Convento, Padre Antônio de Jesus, e ganhou-o para a Reforma. Pouco depois chegou ali um frade débil e pequeno. Gostou dele a Santa, e expôs-lhe seus intentos, ganhando-o também. Chamava-se Frei João de São Matias, depois Frei João da Cruz. Cheia de alegria, disse ela às suas monjas: "Ajudem-me, filhas, a dar graças a Deus Nosso Senhor, porque já temos um frade e meio". O primeiro Convento de frades contemplativos ou descalços fundou-se em Duruelo a 28 de novembro de 1568.

Os 20 anos de aventura fundacional de Santa Teresa são difíceis de reduzir a uma síntese. Seus livros e suas cartas testemunham até que ponto ela viveu as vicissitudes e conflitos de seus mosteiros de frades e monjas.