A história do Sítio Itaim - como a trajetória do bairro - está ligada à família Couto de Magalhães.
Político da época do Império, o general José Vieira Couto de Magalhães adquiriu a casa em meados do século 19.
Anteriormente, o terreno havia passado pelas mãos de quatro proprietários.
Para formar o sítio, Magalhães arrematou, em 1896, 120 alqueires de capoeiras e restingas, 80 de pastos e 30 alqueires de terras cultivadas. Segundo um mapa da época, o sítio se estendia das margens do Rio Pinheiros até onde mais tarde viria a ser construído o Parque do Ibirapuera, hoje um dos principais pólos de lazer da zona sul de São Paulo.
Herança - O general morreu solteiro, em 1898, e deixou o lugar para o sobrinho, Leopoldo Couto de Magalhães, cujo apelido era Bibi. A conjugação do nome da propriedade com o apelido acabaria por compor mais tarde a denominação do bairro. A influência do general e de sua propriedade cunharia também nomes de vias do Itaim - bairro que se formou nas décadas de 20 e 30 do século passado. A Rua Iaiá, por exemplo, adota o nome de uma tia do general. Amauri, que ganhou rua, também pertencia ao clã. Até mesmo um escravo alforriado do general, João Cachoeira, empresta seu nome a uma das mais movimentadas e principais vias dessa região.
Tanta reverência não foi à toa. Segundo um documento preparado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), que recompõe sua vida, o general Couto de Magalhães presidiu diversas províncias no período imperial, foi deputado-geral e conselheiro de Estado. Também atuou como o último conselheiro de São Paulo durante o regime monárquico. Além de político, era um homem de cultura refinada. Foi escritor e lingüista. Falava quatro línguas, além do português: inglês, francês, espanhol e tupi-guarani.
Loteamento - Anos após a morte do tio, Leopoldo começou a lotear a propriedade, na época com mais de 200 mil metros quadrados. Surgiram as glebas que se tornariam o bairro. Entre 1918 e 1921, a casa foi alugada para religiosas e, em seguida, para o homeopata Brasílio Machado. Este, em 1927, criou e instalou no local o Sanatório Bela Vista, que só fechou as portas em 1980. Daí, começou a degradação que ninguém, nos 22 anos que se seguiram, conseguiu deter. (M.M.S.)